09 agosto 2019

Opinião: O DNOCS como ente federativo, conceituado entre a população nordestina

GERALDO COSTA
Assessor de Comunicação da ASSECAS
Membro do Conselho Fiscal do Sintsef/CE

O problema da seca não é um fenômeno novo entre os povos. É fato que data das mais longínquas eras. Regiões férteis e áridas sempre existiram, assim como com maiores ou menores densidades pluviométricas em determinadas épocas, na mesma região. A Bíblia, livro por excelência, nos revela, já nos tempos dos faraós, a existência, no Egito, de épocas de bonança e de épocas de sede e fome, mostrando-nos, por outro lado, a maneira sábia para solucionar o problema de fome com a acumulação de gêneros no tempo da fertilidade. Aqui no Nordeste, zona seca, temos de guardar água e ensilar alimentos para as pessoas e animais. A gravidade das secas nesta área decorre da imprevidência das populações em não estocar alimentos para a sua subsistência e a de seus rebanhos. Mas é bom esclarecer que antigamente o número de gente era pequeno, não se comparando aos tempos de hoje, com uma explosão demográfica além do conhecido.

Devemos fazer especial menção ao programa executado pelo Presidente Vargas, na construção de obras contra as secas, as quais, embora deficientes para as necessidades da população, em relação às obras de açudagem pública, foram de especial valor no campo da construção de rodovias. Concorrendo para maior facilidade na circulação das riquezas, e, possibilitando, nas de calamidade, a prestação de assistência social às populações deslocadas.

O saldo de realizações empreendidas através de recursos entregues ao DNOCS é surpreendente, destacando-se uma rede ferroviária com cerca de 14.000 quilômetros até a pouco o que de mais perfeito existia nesse setor em nosso país, a construção de mais de 600 açudes, cujos volumes das paredes ultrapassam de muito 50 milhões de metros cúbicos e a perfuração de cerca de 5 mil poços, a construção de mais de 700 quilômetros de canais de irrigação, a construção de várias centenas de quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica, de alta tensão, e abastecimento d’água de dezenas de cidades, a construção de inúmeros aeroportos, a aquisição de 77 locomotivas,
centenas de vagões ferroviários e mais de 50 mil toneladas de trilhos, aparelhamentos de portos, construção de linhas telegráficas e telefônicas, hospitais, escolas, postos agrícolas, postos de piscicultura, erradicação de piranhas, estudo de geologia, da hidrologia, da botânica, da zona seca brasileira, recobrimento aerofotográfico de quase todo esta região, estudos agrológicos e levantamento topográfico, além da entrega de mais de meio bilhão de cruzeiros à CHESF para construção de linhas de transmissão de energia, entrega de quase um bilhão de cruzeiros aos Batalhões Rodoviários, etc. Enfim, pode-se afirmar que mais de 2/3 das obras públicas no Nordeste foram planejadas e erguidas pelo DNOCS”.

Após tal demonstração, neste momento, surge a ideia advinda do Estado do Ceará, através do seu Secretário de Agricultura, de fomentar as terras do DNOCS, com plantações de capim, irrigados com as águas canalizadas nos Perímetros deste órgão. No entanto não falam em gestão, significando dizer que o Estado quer apenas os espaços apropriados, que deverão passar para a sua gestão, deixando o DNOCS fora dessa atuação. Será mais um bem que o Departamento poderá ceder e ficar definitivamente sem o mesmo, porque sempre foi e continua sendo hábito do DNOCS abrir mão do seu patrimônio em favor de outros organismos, deixando-se esvaziar, o que não é bom. bem feito.

Acredito, firmemente, que a ASSECAS, ora em ação, poderá desenvolver plenamente um trabalho que possa elevar mais ainda as discussões que vêm sendo feitas, sem temor, sem baixar a cabeça, continuando a olhar firme para além-fronteiras no sentido de defender este órgão sério e capaz, o qual permanece vivo e esperando momentos propícios para continuar sua luta em favor da nossa região. Falar aqui na sua competência é perda de tempo, porque grande parte das autoridades no campo da ciência moderna, já disse e continua a dizer que o DNOCS, como universidade do nordeste, trabalhou e continua trabalhando para solução dos casos que se manifestam para prejuízo do agricultor nordestino.

Se o Estado deseja realmente plantar capim, visando matar a fome dos animais, que o faça, mas sob o controle e a gestão do DNOCS. Este órgão sabe como ninguém, plantar e colher, pois a sua experiência, nesse campo, já está comprovada. Somos fartos de técnicos preparados em Engenharia Agronômica, com cabedal suficiente para tocar projetos e obras dessa espécie. No final da nossa conversa, terminamos por dizer, que, quando falamos no DNOCS, a grandeza da nossa fala encontra-se na paz dos nossos corações.

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