27 março 2026

Empregados da Ebserh aprovam greve por tempo indeterminado a partir de 30 de março no Ceará


Assembleia do Sintsef-CE avalia mediação no TST, rejeita cenário sem avanços e define paralisação com escala de 50% e criação de comando de greve

A definição pela deflagração de greve por tempo indeterminado dos empregados e empregadas da Ebserh no Ceará marcou a assembleia geral extraordinária realizada na tarde desta quinta-feira, 26 de março de 2026, pelo Sintsef-CE. 

A atividade, realizada de forma virtual, reuniu trabalhadores da base e representantes da Condsef/Fenadsef e da mesa de negociação, para avaliar os resultados da mediação no Tribunal Superior do Trabalho e deliberar sobre os rumos da mobilização da categoria. 

A assembleia teve como pauta central a análise das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027, especialmente após a rodada de mediação realizada na manhã do mesmo dia no TST, além da deliberação sobre a deflagração ou não da greve a partir do dia 30 de março. 

Mediação no TST e articulação com governo marcam momento decisivo 

Durante a assembleia, foram apresentados informes detalhados sobre as negociações conduzidas em Brasília, envolvendo o Ministério da Gestão e Inovação, a Secretaria-Geral da Presidência da República, o Tribunal Superior do Trabalho e a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), além da própria gestão da Ebserh. 

Os representantes da mesa de negociação destacaram que, apesar da continuidade do processo negocial, ainda não houve apresentação concreta de proposta que atendesse às reivindicações da categoria, mantendo o cenário de indefinição quanto às cláusulas econômicas e sociais do acordo. 

A mediação no TST foi apontada como mais uma tentativa de avanço nas negociações, mas sem garantias de que os resultados apresentados seriam suficientes para encerrar o impasse. 

Categoria debate cenário e reforça necessidade de mobilização 

Após a apresentação dos informes, a assembleia abriu espaço para participação dos trabalhadores, com esclarecimento de dúvidas e avaliação coletiva do momento das negociações. 

O debate evidenciou o grau de insatisfação da categoria diante da ausência de avanços concretos, reforçando o entendimento de que o processo exigia intensificação da mobilização para pressionar por uma proposta efetiva. Embora avanços nas negociações envolvendo outros órgãos governamentais, como o MGI e a SGRP aconteceram nesse período. 

Também foi ressaltado que a decisão sobre a greve ocorre em um contexto de forte pressão temporal, diante das limitações impostas pelo calendário eleitoral, que pode restringir a concessão de reajustes reais caso não haja acordo dentro do prazo legal, até 06 de abril. 

Greve por tempo indeterminado é aprovada pela maioria 

Após os debates, a assembleia deliberou sobre a proposta de deflagração de greve por tempo indeterminado a partir do dia 30 de março de 2026. 

A votação apresentou o seguinte resultado: 

  • 60 votos favoráveis; 
  • 1 voto contrário; 
  • 1 abstenção; 

Com isso, foi aprovada a paralisação da categoria a partir da próxima segunda-feira. A decisão marca um novo patamar no processo de mobilização, indicando o descontentamento sobre os avanços imediatos nas negociações sem pressão direta da categoria. 

Comando de greve e escala de funcionamento são definidos 

Durante a assembleia, também foram aprovadas medidas organizativas para a condução do movimento paredista. 

Foi instituído um comando de greve, responsável por coordenar as ações da mobilização, e definida uma escala de 50% de adesão entre os setores administrativos e assistenciais, garantindo a manutenção parcial dos serviços durante o período de paralisação.