Empregados dos hospitais universitários iniciam greve nesta segunda-feira (30), às 7h, em Fortaleza, informa Sintsef-CE
Paralisação começa às 7h desta segunda-feira (30) e impacta o atendimento no Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), com redução parcial dos serviços, embora áreas essenciais sigam funcionando
Os empregados e empregadas dos hospitais universitários federais administrados pela HU Brasil (antiga Ebserh) no Ceará iniciarão uma greve por tempo indeterminado a partir das 7h da manhã desta segunda-feira, 30 de março de 2026, conforme decisão ratificada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Ceará (Sintsef-CE) na noite da última sexta-feira (27). A paralisação atinge trabalhadores do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), que inclui o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC), unidades que desempenham papel estratégico no atendimento à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O movimento não ocorre de forma isolada. Trata-se de uma greve nacional que atinge quase 50 hospitais universitários federais em todo o país, abrangendo mais de 50 mil empregados e empregadas da HU Brasil. No Ceará, a mobilização envolve cerca de 2.500 trabalhadores, de diversas categorias profissionais, que atuam nas unidades do HUWC e da MEAC.
A decisão de greve é resultado de um processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 que se arrasta sem apresentação de proposta econômica concreta por parte da empresa. Ao longo da última semana, trabalhadores acompanharam uma sequência de reuniões, assembleias e mediações junto ao Tribunal Superior do Trabalho e ao governo federal, sem que fosse apresentado índice de reajuste ou avanço efetivo nas cláusulas remuneratórias. Mesmo diante desse cenário, a empresa solicitou a suspensão da greve até a noite do dia 30 de março, alegando necessidade de mais tempo para articulações internas. A proposta foi levada à assembleia, mas a categoria decidiu manter o início do movimento já no período da manhã, diante da ausência de garantias concretas.
Na votação final realizada na sexta-feira, 86 trabalhadores participaram da assembleia, sendo que 66 (77%) votaram pelo início da greve às 7h e 20 (23%) optaram por aguardar até as 19h. A decisão consolida o entendimento da base de que o processo de negociação chegou a um ponto de esgotamento e que a paralisação se tornou necessária para pressionar por uma resposta efetiva. A greve, segundo o sindicato, não é uma decisão isolada ou precipitada, mas o resultado de uma trajetória construída ao longo dos últimos dias, iniciada com a aprovação do estado de greve no dia 25, seguida pela deliberação da paralisação no dia 26 e, por fim, ratificada pela base no dia 27, após novas rodadas de negociação sem avanço concreto.
Apesar da paralisação, o atendimento à população não será totalmente interrompido. Antes mesmo do início da greve, foi pactuado um plano de funcionamento entre o comando de greve, integrado por dirigentes do Sintsef-CE, e a gestão do Complexo Hospitalar da UFC, garantindo a manutenção dos serviços essenciais e a continuidade de atendimentos em áreas críticas. A organização prevê funcionamento parcial dos setores, com definição de percentuais mínimos de atendimento, variando conforme a natureza de cada serviço.
Funcionamento dos serviços durante a greve
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Setor / Serviço |
Percentual de funcionamento |
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UTIs (clínica e cirúrgica) |
50% |
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Enfermarias |
50% |
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Centro cirúrgico |
50% (com salas reduzidas) |
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Emergência / centro obstétrico |
50% |
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Hemodiálise |
50% |
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Quimioterapia |
50% |
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Laboratórios |
50% |
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Farmácia hospitalar |
50% |
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Radiologia |
50% |
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Ambulatórios |
entre 30% e 70% |
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Serviços administrativos |
até 50% |
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Banco de leite / neonatologia |
50% |
Na prática, a população pode perceber redução principalmente em atendimentos ambulatoriais, exames, cirurgias eletivas e parte das rotinas hospitalares, enquanto os atendimentos de urgência, casos graves e serviços essenciais seguem funcionando com escala mínima. O objetivo, segundo o sindicato, é equilibrar o direito de mobilização dos trabalhadores com a responsabilidade de manter o atendimento à população.
A deflagração da greve também já produziu efeitos imediatos nas tratativas institucionais. Após a comunicação oficial do movimento, a gestão da HU Brasil solicitou reunião em caráter de urgência com o sindicato, destacando a necessidade de garantir a continuidade dos serviços essenciais. Paralelamente, a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef/Fenadsef) orientou as entidades sindicais a formalizarem a comunicação da greve dentro do prazo legal mínimo de 72 horas, reforçando a condução organizada e juridicamente segura do movimento.
Para o Sintsef-CE, é importante destacar que a greve não é dirigida contra a população, mas sim uma resposta à ausência de propostas concretas em um processo de negociação que impacta diretamente as condições de trabalho e, consequentemente, a qualidade dos serviços prestados. A entidade afirma que permanece aberta ao diálogo e que a paralisação poderá ser revista a qualquer momento, desde que haja apresentação formal de proposta econômica e social que possa ser avaliada pela categoria em assembleia.
A greve terá início às 7h do dia 30 de março e seguirá por tempo indeterminado, podendo ser mantida ou suspensa conforme os desdobramentos das negociações entre a empresa, o governo federal e as entidades representativas dos trabalhadores.