11 julho 2025

EDITORIAL: Defender o Brasil contra Trump é defender as reivindicações dos trabalhadores(as)!


Uma explosão nas redes sociais de um grito preso na garganta da militância de esquerda. Foi a reação dos petistas e simpatizantes em todo Brasil à fotografia feita por Ricardo Stuckert durante a passeata com Lula em 2 de julho, Festa da Independência da Bahia, data em que se comemora a expulsão dos portugueses de Salvador. Lula empunha um cartaz de autoria do agrupamento do Diálogo e Ação Petista com uma frase curta que aponta o caminho: “Taxação dos super ricos”.
Depois, o perfil oficial do governo publicou: “É hora de lutar por novos avanços!” Entre os itens da pauta do chamado à luta questões fundamentais para o povo trabalhador: fim da escala 6×1, salário mínimo justo e com aumento real, impostos para os super ricos e isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5mil por mês e aumento de 10% mais para acima de R$ 50 mil. A imprensa, nervosa, critica o “nós contra eles”.
Neste cenário, o fato é que, para sustentar o que parece ser um passo à frente de Lula, serão necessários outros passos.
Lula decidiu judicializar o IOF contra o Congresso que extrapolou seu poder. É justo. É preciso ver se o STF não vai dissolver tudo numa daquelas Audiências de Conciliação, ou se – novidade – vai votar pelos pobres e contra os ricos, ou seja, contra eles mesmos, suas famílias e empresas!
Também é preciso se perguntar se, com eventual apoio do STF, o Congresso – surpresa – aprovará finalmente a taxação dos super ricos.
Afinal, o que o vai ficando claro, como dizem os memes na Internet é que este congresso, do jeito que aí está, é inimigo do povo. Não quer taxar os super-ricos ou acabar com a escala 6×1, mas quer esmagar a previdência social e congelar o salário mínimo e continuar os negócios com R$ 52 bi de emendas parlamentares. O Congresso acaba de aprovar o aumento de Deputados de 513 para 531 deputados federais, com efeito cascatas para os Estados que também aumentará o número de deputados nas Assembléias Legislativas o que elevará as despesas em mais de 65 bilhões de reais por ano desmascarando o falso discurso de aumento de gastos do governo com as questões sociais como educação e saúde. O presidente da Câmara dos Deputados criou um Grupo de Trabalho composto por vinte deputados federais para ressuscitar a reforma administrativa para atacar o servidor e o serviço público.
Por isso mudanças se impõem. Mas Lula fará as mudanças sozinho? Claro que não. O sinal dado pelo povo para o Governo dar uma guinada à esquerda, só será concretizado com a força social do próprio povo em busca de suas demandas.

Trump, tire suas patas do Brasil

É justamente neste momento de despertar da indignação social contra o Congresso, contra a direita e o Centrão que o imperialismo norte-americano desfere um ataque de grandes proporções contra a nação brasileira. Em carta a Lula, no dia último dia 8 de julho, Trump ameaça o país com tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao seu país, o que teria consequências muito negativas, por exemplo, no emprego nos setores atingidos pela taxação.
Dias antes, o presidente americano já tinha ameaçado os países dos BRICS com esta mesma arma, além de ter pressionado nosso país pelo fim da punição de Bolsonaro e demais golpistas que caminham para a condenação na Justiça.
A reação indignada do povo, inclusive com atos de rua importantes, como o de São Paulo, e o nosso, aqui em Fortaleza, em 10 de julho, abre caminho para uma nova fase da luta popular.
Para nós, a ampla unidade contra Trump e o Imperialismo é inseparável daquelas medidas que concretizem a resistência a Trump do ponto de vista das demandas do povo.
Por esta razão é necessário, sim, dizer “Trump tire as suas patas do Brasil”, associando a defesa de nossa soberania à revogação das contra reformas de Temer e Bolsonaro, à taxação dos milionários e bilionários, à isenção do imposto de renda para os trabalhadores, à redução da jornada com o fim da escala 6×1, a um passo efetivo em direção da reforma agrária, entre outras bandeiras que expressam a soberania do Brasil.
A Direção Colegiada