NÃO À INGERÊNCIA DE TRUMP NO BRASIL!
No Brasil, o tarifaço de 50% aos produtos brasileiros começou a valer dia 6/8 e continuam as chantagens pela anistia dos bolsonaristas golpistas. A ingerência imperialista contra o Brasil e ao governo Lula é uma agressão sem precedentes. Tarifaço, aqui com justificativa política: livrar a cara de Bolsonaro e seus comparsas.
Agora o governo americano anunciou a revogação dos vistos de dois funcionários brasileiros ligados à contratação de médicos cubanos pelo programa “Mais Médicos” e da família do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
É um ataque imperialista à nação brasileira. Agressão sem precedentes, antes de tudo é um testemunho da crise generalizada do capitalismo, em particular no centro do império, os EUA, que não encontra outras soluções para a humanidade senão a pilhagem, a guerra e os ataques aos povos.
As ações de Trump configuram ataque à soberania nacional, mas vitimam, em primeiro lugar, o povo trabalhador. Já há notícias de empresas dando férias coletivas aos funcionários, e várias demissões, como é o caso dos setores madeireiro, calçadista, metalúrgico e pesqueiro.
Muitos países estão sendo ameaçados com a imposição de tarifas alfandegárias pelos EUA, mas em nenhum outro caso a alta teve justificativa abertamente política, que equivale à ingerência nos assuntos internos, como ocorre com o Brasil. A chantagem de Trump vem para que se interrompa “imediatamente” a “caça às bruxas” que estaria vitimizando o seu aliado Bolsonaro.
Dias depois da carta da taxação, Trump, em uma escalada de ameaças, instalou uma “investigação comercial” contra o PIX em favor da bigtechs (as grandes corporações do ramo de internet e informática) e das bandeiras de cartões de crédito. No dia 17/7 enviou carta de apoio a Bolsonaro na véspera do STF ordenar tornozeleira eletrônica para evitar a fuga. Depois das medidas restritivas contra Bolsonaro, retirou os vistos americanos da maioria dos ministros do STF e membros da AGU.
Medidas para defender a Soberania Nacional
O certo é que, ao atacar o Brasil e o governo Lula, Trump também quer atingir os BRICS para tentar bloquear a tendência à desdolarização das trocas internacionais, num esforço desesperado para manter o lugar central do imperialismo dos EUA no mercado mundial.
Face à agressão estadunidense apoiamos todas as medidas de resistência do governo. E frente a ela é preciso:
• Taxação recíproca aos produtos estadunidense
• Cadeia para os bolsonaristas traidores da pátria
• Taxar as bigtechs
• Quebrar as patentes farmacêuticas
• Taxar as remessas de lucros das multinacionais americanas
• Garantia real dos empregos ameaçados pela taxação
Sim, é necessária a mais ampla frente para enfrentar Trump e defender a soberania nacional. Mas nessa frente à classe trabalhadora e suas organizações devem exigir a garantia dos seus empregos, salários e direitos. Nenhuma demissão nem perda salarial ou de direitos pode ser admitida e o governo tem os meios de garanti-los!
Derrotar nas ruas a ofensiva de Trump!
A mobilização ocorrida em 10 de julho que ocorreu em várias cidades do Brasil como em São Paulo que reuniu 20 mil manifestantes e em Fortaleza centenas de manifestantes na praia de Iracema. Foi a primeira resposta às ameaças à soberania do Brasil. O SINTSEF/CE esteve presente com seus pirulitos levantando “Trump tire suas patas do Brasil”, que combinaram-se com as exigências anteriores de taxação dos mais ricos, isenção para os mais pobres, redução da jornada de trabalho e fim da escala 6 X 1, que estão presentes no Plebiscito Popular.
O combate à política tarifária de Trump se combina diretamente ao de seus ataques aos imigrantes e à classe trabalhadora nos próprios EUA, ao combate a sua política de apoio incondicional ao genocídio praticado por Israel em Gaza e de pressão por um aumento de gastos militares de seus aliados europeus da Otan.
Nenhuma demissão por taxação!
No dia 13/8, o presidente Lula anunciou um pacote, a Medida Provisória “Brasil Soberano” para enfrentar os efeitos do tarifaço. A MP garante crédito e benefícios fiscais a empresas afetadas, e cria uma Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, tripartite – governo, patrões e centrais sindicais. O acesso ao crédito estaria condicionado à manutenção de empregos, mas não há no pacote nenhuma norma específica que interdite demissões. Ao contrário, prevê casos de empresas que “não tem condições”, com direito a “contrapartidas”.
Nessa situação é preciso medidas concretas, como a reciprocidade na taxação de produtos dos EUA, a taxação das bigtechs e das remessas de lucros das multinacionais americanas. Mas, principalmente, criar mecanismos legais de garantia real dos empregos, assim como dos salários e direitos ameaçados. Mecanismos para proteger a classe trabalhadora.
A Direção Colegiada