Plencut: a base busca um ponto de apoio para lutar!
A 17ª Plenária Nacional da CUT aconteceu nos dias 14 a 17 de outubro, em São Paulo, e homenageou João Batista Gomes, o “Joãozinho”, dirigente nacional da Central. Com 598 delegados inscritos em formato híbrido – sendo a maior parte presencial na Quadra dos Bancários –, a plenária discutiu e deliberou a atualização da estratégia e do plano de lutas aprovados no último Congresso da CUT.
A maioria dos delegados expressou a vontade da base em estabelecer uma agenda para defender os direitos da classe trabalhadora, agir e enfrentar os ataques imperialistas de Donald Trump contra a soberania do Brasil e dos países da América Latina.
No plano internacional, a plenária deliberou questões importantes como a defesa da soberania da Venezuela contra os ataques a embarcações venezuelanas, além de se posicionar contrária ao Acordo de Livre Comércio Mercosul-União Europeia, que coloca em risco milhares de empregos.
A Plenária também se manifestou favorável ao cessar-fogo imediato na Palestina. Porém, uma emenda que defendia um único estado democrático em todo o território histórico (“Palestina livre do Rio ao Mar”) teve oposição da Articulação Sindical, pois ela abalaria a relação com os aliados sindicais internacionais da CUT defensores da política falida de dois Estados – que desde 1948 espalha a guerra e o genocídio contra o povo palestino com a existência do estado sionista de Israel. Mesmo com esse discurso, a emenda obteve 30% dos votos.
No Plano de Lutas, a CUT aprovou sua participação na Jornada Continental em Defesa do Direito à Migração que acontecerá em março de 2026, conforme decisão da Conferência Continental que ocorreu na Cidade do México em 27 e 28 de setembro.
A luta pela revogação das Reformas Trabalhista, Previdenciária e da Lei das Terceirizações se mantém no plano de lutas. No entanto, uma emenda que apontava que esta deveria ser uma luta central no próximo período foi rejeitada.
O fim da escala 6×1 e a luta para taxar das grandes fortunas foram aprovadas como prioridade para o próximo período.
A plenária aprovou que está na hora de começar a mobilização popular para uma reforma política de fundo que mude as regras eleitorais antidemocráticas, que estabeleça o voto em lista partidária, o voto proporcional (“uma pessoa um voto”) e o financiamento público exclusivo, e assim permitir eleger Assembleia Constituinte Soberana.
Desse modo, será possível acabar com as emendas parlamentares através das quais o Congresso reacionário sequestrou o orçamento público e, do mesmo modo, recuperar os direitos dos trabalhadores e do povo com a revogação da Reforma Trabalhista, da Lei das Terceirizações e da Reforma Previdenciária, assim como a abolição da tutela militar (artigo 142 da GLO) e a realização das reformas estruturantes – agrária, do Judiciário e reestatizações.
A plenária adotou posição contrária à PEC 38/2025, da Reforma Administrativa do Congresso inimigo do povo, e discutiu detalhes dos meios para a Marcha que aconteceu em Brasília em 29 de outubro e os próximos passos contra o projeto.
Para derrotar a direita e a extrema-direita, e para reeleger Lula em 2026, precisamos manter a mobilização nas ruas como fizemos em setembro em todo o país contra PEC da Blindagem e a tentativa de anistia para Bolsonaro e seus generais condenados pela tentativa de golpe no 8 de janeiro com um programa de reivindicações objetivo em defesa da classe trabalhadora.
A Plencut expressou que a base da central tem muita disposição para lutar e derrotar nossos inimigos de classe e seu projeto de retirada de direitos e entrega da soberania do país. Cabe à CUT organizar esta luta.
Renê Munaro
Diretor-executivo da CUT