Servidores intoxicados da ex-Sucam avançam em debate no Ministério da Saúde após anos de luta
O tema dos servidores intoxicados da antiga SUCAM voltou à pauta do Ministério da Saúde após anos de reivindicação do movimento sindical. No último dia 31 de março de 2026, foi realizada reunião do Grupo de Trabalho (GT) na Mesa Nacional de Negociação Permanente (MSNPS/MS), reunindo representantes do governo federal e da bancada sindical, composta por Condsef/Fenadsef, Fenasps, inclusive o Sintsef-CE.
A reunião contou ainda com a participação de especialistas e representantes da categoria, entre eles médico perito do SIASS e dirigentes sindicais, que contribuíram para aprofundar o debate sobre a situação dos trabalhadores que atuaram no combate às endemias no país.
Um problema histórico que finalmente chega à mesa de negociação
Durante a reunião, foi destacado que a pauta dos intoxicados da ex-SUCAM é uma demanda histórica, construída ao longo de quase duas décadas de denúncias e mobilizações. Segundo representantes da categoria, somente após intensificação das atividades no último ano (2025), incluindo audiências no Ministério da Saúde, o governo federal passou a recepcionar formalmente a discussão no âmbito de um Grupo de Trabalho.
Foi apresentado um resgate histórico das atividades de combate e controle de vetores no Brasil, desde a criação dos primeiros órgãos até o processo de descentralização para estados e municípios. Nesse contexto, foi reforçado que milhares de servidores atuaram diretamente no manuseio de substâncias altamente tóxicas, muitas vezes sem a devida proteção, o que resultou em graves consequências à saúde.
Adoecimento, sequelas e necessidade de assistência integral
Um dos pontos centrais da reunião foi o relato técnico sobre os impactos do trabalho desses servidores. Foi destacado o quadro de adoecimento crônico e mortes precoces, decorrentes principalmente da exposição a inseticidas organoclorados, como o DDT.
Também foi enfatizado que muitos trabalhadores desenvolveram doenças graves ao longo dos anos, exigindo acompanhamento contínuo em áreas como neurologia, endocrinologia e oncologia. Nesse sentido, foi reforçada a necessidade de garantir assistência integral à saúde, não apenas aos servidores ainda em atividade, mas também aos aposentados e seus familiares.
Além disso, foram relatadas situações em que servidores foram aposentados sem o devido reconhecimento da natureza ocupacional das doenças, o que impacta diretamente direitos como integralidade e paridade.
Encaminhamentos reforçam pauta de reparação e direitos
Ao final da reunião, a bancada sindical apresentou uma série de encaminhamentos que apontam para a continuidade da luta e a busca por reparação aos trabalhadores atingidos. Entre os principais pontos, destacam-se:
• Reiteração do pedido de audiência com o Ministro da Saúde para tratar das pautas da GACEN e dos servidores intoxicados;
• Revisão das aposentadorias de servidores considerados inaptos, garantindo integralidade e paridade;
• Aposentadoria dos servidores ainda em atividade por incapacidade decorrente de doença ocupacional;
• Garantia do fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) aos trabalhadores em atividade;
• Implementação do SIASS nas Superintendências Estaduais do Ministério da Saúde, assegurando assistência adequada aos servidores.
Sintsef-CE segue na luta pelos direitos dos servidores
A realização do GT representa um passo importante no reconhecimento de uma pauta histórica dos trabalhadores da saúde pública. Para o movimento sindical, no entanto, o avanço do debate precisa se traduzir em medidas concretas de reparação e garantia de direitos.
O Sintsef-CE, como entidade filiada à Condsef/Fenadsef, reafirma seu compromisso com a luta dos servidores intoxicados da ex-SUCAM, defendendo o reconhecimento das doenças ocupacionais, a valorização desses trabalhadores e o acesso a condições dignas de saúde e aposentadoria.
A pauta segue como prioridade dentro do calendário de mobilização da categoria, reforçando que a conquista de direitos depende da continuidade da organização e da pressão coletiva dos trabalhadores.