8-M reúne diversidade de vozes nas ruas de Fortaleza contra violência à mulher
Centenas de mulheres e homens foram às ruas de Fortaleza no último domingo, 8, para marcar o Dia Internacional da Mulher com um ato político de denúncia e reivindicação de direitos. A mobilização reuniu movimentos sociais, organizações populares e entidades sindicais, entre elas o Sintsef-CE, em defesa da vida das mulheres, contra as violências de gênero e pela ampliação de direitos trabalhistas.
A manifestação teve concentração no Projeto 4 Varas, na Barra do Ceará, e seguiu pelas ruas do bairro até o Marco-Zero, com a participação de parlamentares e representantes de movimentos de esquerda contra à precarização das condições de trabalho e à jornada exaustiva imposta a milhares de trabalhadoras.
Entre as pautas levantadas durante o ato esteve a campanha pelo fim da escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso e que tem sido apontado por movimentos sindicais como um fator que agrava a sobrecarga, sobretudo para mulheres que acumulam trabalho remunerado e tarefas de cuidado.
Cartazes, faixas, palavras de ordem e apresentações culturais reforçaram o caráter não só político político do 8 de março, mas também social. Em meio à caminhada, manifestantes lembraram que a luta das mulheres também está diretamente ligada à defesa de direitos sociais e do serviço público. Mensagens como “organizar, resistir e transformar” marcaram a mobilização, que reuniu diferentes gerações e segmentos da classe trabalhadora.
A mobilização também destacou o aumento da violência contra as mulheres no país. Dados recentes do Ministério de Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontam que o Brasil registrou cerca de 1.470 casos de feminicídio em 2025, o equivalente a aproximadamente quatro mulheres assassinadas por dia. O cenário reforça a urgência de medidas efetivas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
O ato contou ainda com a presença de representantes de movimentos populares do campo e da cidade, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, além de coletivos feministas e organizações ligadas à luta por moradia, educação e direitos humanos. A diversidade de participantes reforçou a dimensão coletiva da mobilização e a articulação entre diferentes frentes de luta.
Para o Sintsef-CE, participar das mobilizações do 8M é reafirmar o compromisso histórico do movimento sindical com a igualdade de gênero e a defesa das trabalhadoras do serviço público. A entidade destaca que a luta por condições dignas de trabalho, valorização profissional e combate às violências também passa pelo fortalecimento da organização coletiva.
A mobilização em Fortaleza integrou a agenda nacional de atividades do 8 de março, que neste ano voltou a destacar a necessidade de políticas públicas de proteção às mulheres, combate às desigualdades e valorização do trabalho.