09 julho 2026

Circuito Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho promove aliança estratégica entre o movimento indígena e o movimento sindical


A última quarta-feira (8) marcou o encerramento do Circuito Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho. O seminário, promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em parceria com a Condsef/Fenadsef, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), contou com uma série de atividades, desenvolvidas entre os dias 6 e 8 deste mês.

O circuito teve início na segunda-feira (6) à noite, na sede do sindicato, com a abertura política e uma exposição fotográfica, com obras cedidas pelo acervo da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Participaram da mesa de abertura o secretário nacional de Economia Solidária da CUT, Admirson Medeiros Ferro Júnior, o Greg, e o coordenador do setor político da APIB, Paulino Montejo. O evento contou com a presença de dirigentes da Condsef/Fenadsef, do Sintsef-CE, da CUT, da CNTE e de outras entidades que construíram o evento.

Na terça-feira (7), membros da comitiva do Circuito, acompanhados de diretores e delegados de base do Sintsef-CE, visitaram os territórios indígenas Anacé e Tapeba, no município de Caucaia. Os presentes acompanharam oitivas, promovidas pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), com o objetivo de apurar denúncias de violações dos direitos humanos na implantação de centros de processamento de dados na região. A missão do CNDH utilizará as informações colhidas junto às comunidades na construção de um relatório nacional, com recomendações aos governos estaduais e federal, ao legislativo e ao judiciário.

Finalizando as atividades, na quarta-feira (8), foram realizadas as seguintes mesas de debate, na sede do Sintsef-CE:

  • Análise da conjuntura política e econômica – Movimento indígena e mundo do trabalho
    • Mônica Carneiro – Diretora de comunicação da Condsef/Fenadsef
    • Paulino Montejo – Coordenador Político da APIB
  • Direitos territoriais, autonomia e sustentabilidade: fortalecimento das distintas economias dos povos indígenas
    • Admirson Medeiros Ferro Jr (Greg)- Secretário Nacional de Economia Solidária da CUT Brasil
    • Kilvia Tapeba – Cooperativa Tapeba
    • Lúcia Silveira – Unisol Ceará (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários)
    • Mediação: Gustavo Guerreiro – Sintsef-CE
  • Territorialidade, saúde e educação escolar indígena
    • Bernadete Pitaguary – Secretaria Estadual de Educação do Ceará
    • Weibe Tapeba – Ex-secretário de saúde indígena (SESAI)
    • João Kennedy Tapeba – Organização dos Professores Indígenas do Ceará – Oprince
    • José de Assis – Sintsef-CE
    • Mediação: Ivonete Alves – CNTE
  • Aliança Estratégica: Movimento Indígena e Movimento Sindical Juntos na Luta
    • Edy Serigy Tupinambá – SINTESE
    • Leiluan Igo Carvalho de Mesquita – AgSUS
    • Emerson Guaraní – Funai/Sindsep-DF
    • Mediação: Mônica Carneiro – Condsef/Fenadsef

Após três dias de intensos debates, contatos e trocas de experiência, o Circuito Povos Indígenas e o Mundo do Trabalho fortaleceu o diálogo entre as demandas dos servidores federais e o movimento indígena. Para Paulino Montejo, coordenador da APIB e indígena Maia, o movimento indígena e o movimento sindical devem somar forças de forma ampliada, conjuntural e a longo prazo. Segundo ele, a palavra de ordem, nesse contexto, é unidade: “a luta de classes e a questão étnico-nacional são complementares e interligadas, sobretudo na América Latina, e isso a gente provou na América Central, na Bolívia, e se não houver uma aliança como essa que estamos retomando, chegaremos ao apagamento”, afirmou.

O Circuito foi encerrado reafirmando que a defesa dos povos indígenas não se trata de uma pauta setorial, mas parte integrante da luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, dos serviços públicos, do meio ambiente e da democracia. As lideranças presentes ressaltaram que as conquistas históricas dos povos indígenas foram resultado da mobilização permanente de suas organizações, e não de concessões espontâneas do Estado. Elas reafirmaram a urgência da ampliação das alianças políticas com o movimento sindical, os movimentos populares e os demais setores comprometidos com a construção de um projeto político baseado na justiça social e no respeito à diversidade.